Camasmie, Marcela Hacib2026-01-082026-01-082025https://repositorio.fespsp.org.br/handle/123456789/588Este artigo analisa uma política pública de acolhimento destinada à população em situação de rua, implementada no município de São Paulo em 2022 por meio da criação de Centros de Acolhida Especial (CAE) em edifícios desativados da Fundação CASA. A pesquisa concentrase nos equipamentos CAE Famílias São José e CAE Idoso Irmã Jacinta, adotando abordagem qualitativa baseada na observação participante situada. O estudo investiga as percepções de pessoas beneficiárias e trabalhadoras acerca da reutilização desses espaços e de seus efeitos simbólicos, materiais e subjetivos. Argumenta-se que a permanência de uma arquitetura herdada de uma lógica socioeducativa punitiva, quando não submetida a um processo efetivo de ressignificação física e simbólica, tende a reforçar estigmas associados à criminalização, ao desvio e à violência simbólica. A análise evidencia como a materialidade do espaço incide na produção de subjetividades, emoções e relações sociais, produzindo experiências marcadas por medo, insegurança e adaptação à precariedade. A dimensão racial é tratada como eixo estruturante da investigação, considerando que a população em situação de rua é majoritariamente negra, expressão de um processo histórico de subalternização racial no Brasil. Demonstra-se, ainda, como a localização territorial dos equipamentos, distante de serviços, trabalho e infraestrutura urbana, opera como forma contemporânea de punição difusa, relacionada à economia dos direitos suspensos. Conclui-se que a política analisada assume caráter ambíguo, pois, ao mesmo tempo em que oferece proteção emergencial, também pode reproduzir desigualdades espaciais, raciais e simbólicas, apontando para a necessidade de políticas públicas orientadas pelo direito à cidade, pela ressignificação arquitetônica e por uma perspectiva antirracista.população em situação de ruapolíticas públicasarquiteturadispositivo da racialidadepuniçãoTensões raciais, espaciais e simbólicas na reutilização de prédios da Fundação CasaArtigo