Narrativas da extrema-direita sobre as enchentes no Rio Grande do Sul (2024): uma etnografia digital do grupo Direita Brasil no Telegram
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Resumo
Este artigo apresenta uma análise netnográfica do grupo de extrema-direita "Direita Brasil" no Telegram, investigando a disputa de narrativas durante as enchentes no Rio Grande do Sul. Fundamentada nos conceitos de pós-verdade e na "fabricação de mundos" digitais (Bruno), a pesquisa combinou imersão ativa e análise de discurso para mapear como a tragédia climática foi politicamente ressignificada. Os resultados revelam a coexistência de dois arquétipos de negacionismo: o pseudocientífico/autoritário, que instrumentaliza credenciais acadêmicas para validar teorias conspiratórias globais (como a "nazi-ecologia"); e o moral/afetivo, que interpreta o desastre através de pânico moral e vieses de confirmação, transformando a crise ambiental em perseguição política ao agronegócio. A análise quantitativa de engajamento demonstrou que a economia da atenção no grupo privilegia afetos extremos — indignação, medo e escárnio —, consolidando "bolhas algorítmicas" (Parra) refratárias ao contraditório. Conclui-se que as interações no grupo mimetizam traços do "Fascismo Eterno" (Eco), onde a desinformação atua não apenas como distorção factual, mas como ferramenta de coesão identitária e radicalização, tornando o ecossistema impermeável a dados oficiais como os da crise climática.