Masculinidades hegemônicas, bolsonarismo e rock and roll: a produção de sentidos de masculinidades a partir de perfis "rock reaça" nas redes sociais

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2025

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Este artigo aborda, a partir de uma etnografia digital e de técnicas de análise do discurso, as relações entre a cena online do rock brasileiro, manifestações do bolsonarismo e performances de masculinidades que atravessam esse ecossistema. Acompanhando perfis selecionados de músicos e bandas no Instagram e no X ao longo de 2024 e 2025, observou-se como códigos de pertencimento, alinhamentos à direita política e disputas ideológicas circulam e se atualizam nas plataformas, estruturando modos de engajamento e visibilidade. Os casos mobilizados mostram também que a fronteira entre online e offline se desfaz: tensões que emergem nas redes reverberam em conflitos presenciais com fãs, geram cancelamentos de shows, disputas judiciais e reposicionamentos na cena. Assim, compreender o lugar do rock na circulação de narrativas bolsonaristas e conservadoras exige considerar as dimensões simbólicas, afetivas e sociotécnicas que moldam formas contemporâneas de ser, pertencer e disputar. A análise evidencia, ainda, que os algoritmos não atuam apenas como mediadores, mas coproduzem o próprio campo e a trajetória de pesquisa: modulam regimes de visibilidade, sugerem alinhamentos identitários e orientam percursos etnográficos. A criação de um novo perfil dedicado a este projeto permitiu observar como o sistema passou a “ler” a pesquisadora como um homem cis heteronormativo, redirecionando conteúdos e produzindo outras camadas analíticas. Em diálogo com Cesarino (2020), trata-se de uma dinâmica de coemergência entre pesquisadora e ambiente digital, na qual o campo se produz no encontro humano-máquina.


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