GT 07 - Marcadores sociais da diferença e interseccionalidades nas agendas globais e racismo estrutural e desenvolvimento: o Brasil pode ser sustentável sem igualdade racial?
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Item Tensões raciais, espaciais e simbólicas na reutilização de prédios da Fundação Casa(2025) Camasmie, Marcela HacibEste artigo analisa uma política pública de acolhimento destinada à população em situação de rua, implementada no município de São Paulo em 2022 por meio da criação de Centros de Acolhida Especial (CAE) em edifícios desativados da Fundação CASA. A pesquisa concentrase nos equipamentos CAE Famílias São José e CAE Idoso Irmã Jacinta, adotando abordagem qualitativa baseada na observação participante situada. O estudo investiga as percepções de pessoas beneficiárias e trabalhadoras acerca da reutilização desses espaços e de seus efeitos simbólicos, materiais e subjetivos. Argumenta-se que a permanência de uma arquitetura herdada de uma lógica socioeducativa punitiva, quando não submetida a um processo efetivo de ressignificação física e simbólica, tende a reforçar estigmas associados à criminalização, ao desvio e à violência simbólica. A análise evidencia como a materialidade do espaço incide na produção de subjetividades, emoções e relações sociais, produzindo experiências marcadas por medo, insegurança e adaptação à precariedade. A dimensão racial é tratada como eixo estruturante da investigação, considerando que a população em situação de rua é majoritariamente negra, expressão de um processo histórico de subalternização racial no Brasil. Demonstra-se, ainda, como a localização territorial dos equipamentos, distante de serviços, trabalho e infraestrutura urbana, opera como forma contemporânea de punição difusa, relacionada à economia dos direitos suspensos. Conclui-se que a política analisada assume caráter ambíguo, pois, ao mesmo tempo em que oferece proteção emergencial, também pode reproduzir desigualdades espaciais, raciais e simbólicas, apontando para a necessidade de políticas públicas orientadas pelo direito à cidade, pela ressignificação arquitetônica e por uma perspectiva antirracista.Item Medusas: a precariedade da proteção à mulher violentada(2025) Pudles, Sofia Zuca PortugalNessa proposta de mestrado, é trabalhada uma difícil realidade do Brasil: o alto índice de violência doméstica. A ocorrência dessa agressão sempre foi elevada no país, sendo fator estrutural das relações patriarcais (SAFFIOTI, 1992), contudo nos últimos anos ele tendeu a aumentar (SECRETÁRIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO, 2025), sugerindo insuficiência da política de combate à violência de gênero no país. Compreende-se que a política pública deveria ser feita para abordar problemas de interesse público, assim deveria buscar soluções para essa questão tão presente, entendendo que a violência doméstica é uma questão que extrapola o âmbito privado, apesar de ocorrer nele. Contudo, ao que os dados apontam, parece haver um papel do Estado, pela via da omissão, na manutenção desta estrutura de violência de gênero, apesar da constituição brasileira garantir a igualdade de direitos. Dessa maneira, propõe-se entender em que medida o Estado se coloca como garantidor de direitos e/ou como violador desses.