Da várzea à soberania: o futebol de várzea como potência para articular economia popular, identidade nacional e desenvolvimento
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Resumo
O seguinte artigo propõe fazer uma discussão acerca do futebol de várzea como uma prática social que ultrapassa a dimensão esportiva ao articular economia popular, organização comunitária e resistência cultural nas periferias urbanas. Longe de se restringirem ao lazer, os campos de várzea funcionam como espaços de sociabilidade, aprendizagem, produção de identidades e exercício concreto da cidadania, mobilizando recursos coletivos e fortalecendo redes de solidariedade. À luz de autores como Furtado (2000), Sachs (2008), Santos (1996) e Lefebvre (2001), evidencia-se que a várzea opera como alternativa territorial e cultural ao modelo neoliberal excludente, promovendo autogestão, circulação econômica local e inovação social. Exemplos como o time da Marcone e a Fundão demonstram como iniciativas comunitárias integram identidade, economia e pertencimento, tornando o futebol de várzea um vetor de desenvolvimento local e soberania popular. Assim, compreender a várzea é reconhecer seu papel central como instrumento de inclusão social e transformação nos territórios periféricos.