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Item Segregação socioespacial: como o espaço interfere na qualidade de vida dos jovens da cidade de São Paulo(2022) Martinez, Isabelly Palmieri; Moraes, Mel Del Grande; Silva, Nicolli Emilly Fagundes; Escola Estadual Luiza Mendes Corrêa de Souza; Estudantes do 1º ano B da Escola Estadual Luiza Mendes Corrêa de SouzaEste artigo visa entender se o espaço onde os jovens moram influencia diretamente em sua qualidade de vida e seu desenvolvimento social, acadêmico e profissional, e como isso acontece. Para isso, foram feitas entrevistas com jovens entre 15 e 16 anos moradores de bairros considerados da periferia e do centro expandido da cidade de São Paulo, mais especificamente, moradores dos bairros Barreira Grande, Vila Ema, Chácara Belenzinho e Vila Carrão.Item Breves apontamentos sobre a condução do 1º plano municipal de segurança alimentar e nutricional(2022) Gomes, Daniel Perez; Mott, Veridiana; Hotimsky, Sonia Nussenzweig; Fundação Escola de Sociologia e Política de São PauloAnte o retorno do Brasil ao Mapa da Fome, tem-se como ponto de partida a problemática da fome e busca-se apresentar um breve histórico das políticas de segurança alimentar no Brasil a nível federal. Parte-se, então, para a descrição da política de segurança alimentar do município de São Paulo, observando seus desdobramentos e seu 1o Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (PLAMSAN), aprovado no final da gestão Haddad e implementado no período 2016-2020, durante a gestão João Doria/Bruno Covas. Analisa-se as atas da CAISAN e da COMUSAN, percebendo o funcionamento da intersetorialidade e a proposta de atuação integrada entre esses órgãos. Conclui-se que não houve monitoramento em relação ao processo de implementação do 1o PLAMSAN e, com o fim de sua vigência, no final de 2020, as políticas de segurança alimentar da cidade aparentam ter um caráter mais assistencialista e menos transversal, como inicialmente.Item Os reports na academia de ensino de uma escola de negócios: um estudo de caso sobre a comunicação organizacional(2022) Rocha, Camilla Rodrigues Netto da Costa; Mola, Iara Cristina de Fátima; Motta, Rodrigo Guimarães; Doutora em Comunicação e Práticas de Consumo (ESPM/SP); Doutoranda em Letras (Mackenzie/SP); Doutor em Administração (PUC/SP)A comunicação organizacional desponta desempenhando um papel relevante, seja ela de caráter mercadológico (marketing), institucional (relações públicas) ou administrativo (interna). Como objeto empírico desta pesquisa elegeu-se a atividade extensionista de reports, materializada nestas três publicações: o Annual Report (Anuário), referente às atividades do ano de 2021; o Quartely Report 1, referente às atividades de janeiro, fevereiro e março de 2022; e o Quartely Report 2, cobrindo os meses de abril, maio e junho desse mesmo ano. O objetivo central deste estudo consiste em compreender de que maneira os reports podem contribuir para que uma Escola de Negócios adote uma comunicação capaz de lhe facultar uma entrega cada vez mais alinhada com as demandas atuais – tanto as das empresas quanto as da própria sociedade.Item Letramento digital do público infanto-juvenil da biblioteca da Fábrica de Cultura do Jaçanã(2023) Flores, Gabriel Garcia Nunes; Franco, Angela Halen Claro; Fundação Escola de Sociologia e Política de São PauloConsiderando que as desigualdades sociais afetam a interação das pessoas com as tecnologias da informação e comunicação, pretendeu-se analisar a maneira como estas tecnologias são usadas pelo público infanto-juvenil da biblioteca da Fábrica de Cultura do Jaçanã na cidade de São Paulo. Para tanto, buscou-se verificar como e se as tecnologias da informação e comunicação satisfazem as necessidades informacionais do público, comparar o cenário presenciado com os objetivos das Fábricas de Cultura, e entender se a desigualdade digital se manifesta na região da biblioteca. Optou-se como procedimentos metodológicos pela pesquisa descritiva e exploratória, de caráter bibliográfico e documental, e pela pesquisa de campo com o público da biblioteca de 9 a 17 anos, utilizando a observação e a entrevista semidirigida, sendo os dados analisados de forma qualitativa. As entrevistas obtiveram dados qualitativos sobre as respostas de cinco entrevistados que demonstraram a diversidade de interesses, necessidades e formas de comunicação do público. Pode-se perceber a exclusão digital como fenômeno indivisível das exclusões sociais, a necessidade de pesquisas guiadas por um recorte regional e o papel da competência informacional na compreensão e aplicação de informações e conhecimentos, habilidades importantes para a formação do letramento digital.Item O acesso ao patrimônio cultural e o desenvolvimento sustentável(2024) Maringelli, Isabel Cristina Ayres da Silva; isabel.ayres@gmail.comDentre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) citamos o de número 4: Educação de qualidade: assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos. Segundo a IFLA as bibliotecas são aptas a apoiar os pesquisadores na reutilização de pesquisas e dados para criação de novos conhecimentos. Nesse contexto é evidenciado o papel da biblioteconomia e Ciência da Informação para aprimorar o acesso ao patrimônio cultural. Hugues de Varine discute o conceito de patrimônio, categorizando-o em três divisões: património dos recursos humanos (mar, ar, terra), património do ambiente natural (meio ambiente) e património da cultura. Ele também argumenta que o patrimônio pode ser uma forma de resistência dos países colonizados, visando afirmar sua independência. Reconhecer um bem como patrimônio cultural, que abrange o patrimônio artístico, histórico, objetos, documentos, conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, dentre outros, significa dotá-lo de importância para ser legado às futuras gerações. Em paralelo a decolonialidade é indicada nas formas de pensar, saber e fazer anteriores à colonização, sendo necessário destruir as rotas envolvidas, a espiritualidade e o pensamento, as estruturas entrelaçadas e constitutivas do capitalismo global e da modernidade ocidental. A decolonialidade está presente em toda parte, como manifestação da desvinculação da modernidade para uma reconexão aos "legados que as pessoas querem preservar, tendo em vista os modos afirmativos de existência que elas querem viver". O debate sobre o colonialismo digital, discussão no ambiente arquivístico, museológico e biblioteconômico, tem relações com racismo e tecnologias informacionais no interior da luta de classes contemporâneas. As relações entre patrimônio e desenvolvimento são abordadas por Varine, que afirma que o patrimônio é a base de toda proposta de desenvolvimento. No Brasil, surgiram iniciativas e disponibilização de acervos digitais, exemplificando o diálogo entre a Ciência da Informação (CI) e as Humanidades Digitais. Como exemplo, os museus são instituições que têm buscado dar respostas à problematização trazida pelo tema por meio de iniciativas como realização de curadorias, e outras atividades. Para Mia Couto, mais do que enaltecer o passado, pensamento presente nos museus do século XIX, os museus devem ser vistos como fábricas de futuro. A informação é imbuída de um caráter social, e se faz necessário que esteja disponível aos públicos das instituições para a produção de conhecimento e acesso. Diante disso considera-se o conhecimento contido nos acervos (arquivístico, bibliográfico e museológico) como base para a produção de novos conhecimentos e saberes, indispensáveis ao desenvolvimento sustentável das terras e dos povos. Esse trabalho pretende explorar, no âmbito da Ciência da Informação, formas integradas de acesso à informação do patrimônio cultural.Item As bases necessárias para a transição agroecológica(2024) Severo, Leonardo Barboza Farias; lbfsevero@gmail.comA hegemonia da proposta da Revolução Verde para a produção agrícola foi iniciada no mesmo período que começa a construção da hegemonia do capital financeiro na Economia Política Mundial. Deste período, década de 70, aos diais atuais, foi se constituindo um novo “normal” na produção agrícola mundial, em que impeliram os camponeses buscar todos os insumos, necessários a produção, no mercado. Assim, foi por meio do controle da oferta dos insumos necessários a produção que as grandes empresas buscaram dominar a produção agrícola mundial. A expansão do capital financeiro foi o que impulsionou o processo de oligopolização da produção dos insumos necessários a produção agrícola a nível mundial. Esses foram os casos das sementes transgênicas, dos agrotóxicos, fertilizantes e máquinas agrícolas. Esse processo, além de dificultar a maior autonomia produtiva do/a agricultor/a, também teve o efeito de maior degradação do meio ambiente e diminuição da qualidade nutricional dos alimentos, e, até chegou a transformar alguns alimentos em veneno. Tudo isso para alcançar dois objetivos, ter altas taxas de lucros e monopolizar os mercados. Para sair da crítica e superar esse modelo tóxico, precisamos de alternativas reais e concretas para a produção agrícola. E, para os movimentos camponeses, a Agroecologia é o único caminho possível. Entendemos a agroecologia como a união dos conhecimentos históricos acumulados a partir da experiência produtiva concreta dos/as camponeses/as, povos indígenas e quilombolas, com o conhecimento científico. Esse modelo que não é só produtivo como também é cultural, propõe alimentar o povo de maneira geral, e não entende o alimento como uma mercadoria, mas sim como um produto necessário para o a sobrevivência da espécie humana. A produção agroecológica torna possível que o trabalho do/a agricultor/a seja realizado de forma harmônica com a natureza. Ademais, o alimento agroecológico possui muito mais nutrientes e torna nossa alimentação mais saudável, o que vem a diminuir muitos casos de doenças e mortes por intoxicação. Entretanto, compreendemos que para a produção agroecológica seja viável em termos produtivos como também para que toda a população tenha condições de consumir, precisamos desenvolver os meios de produção necessários para elevar a escala produtiva da agroecologia. Para isso, vamos precisar caminhar em dois sentidos. O primeiro é o desenvolvimento técnico e científico para viabilizar a produção agroecológica, para conseguir trocar a semente transgênica ou hibrida pela semente criolla, trocar o agrotóxico e fertilizantes por bioinsumos naturais, e para produzir máquinas acessíveis e de menor porte. O segundo caminho é o da luta, pois o projeto da Agroecologia conflita diretamente com o modelo da Revolução Verde. O imperialismo promovido pelos grandes oligopólios internacionais junto aos seus aliados socio menores a nível nacional lutam diariamente para impedir que um modelo alternativo surja contra seu projeto de alta taxa de lucro, monopólios de mercados e super exploração do trabalho. Deste modo, cabe aos trabalhadores como um todo, e, principalmente, aos camponeses, quilombolas e indígenas, a luta pela construção da transição agroecológica no Brasil.Item Economia circular e suas implicações para o desenvolvimento sustentável(2024) Silva , Pamela Carina daItem Cidades sustentáveis e mobilidade urbana(2024) Cicconi, Larissa PugliesiCom mais da metade da população mundial vivendo em áreas urbanas, os centros urbanos enfrentam desafios complexos, como poluição, congestionamento, desperdício de recursos e ilhas de calor. Nesse contexto, o conceito de cidades sustentáveis surge como alternativa para mitigar os impactos ambientais e promover o bem-estar das gerações futuras. A mobilidade urbana, por sua vez, constitui um dos eixos centrais dessa discussão, pois influencia diretamente a qualidade de vida, o meio ambiente e o funcionamento das cidades. Este artigo discute as inter-relações entre sustentabilidade urbana e mobilidade, destacando autores como Kate Raworth e Jan Gehl, que propõem novos paradigmas para o desenvolvimento urbano sustentável. Conclui-se que o avanço das cidades sustentáveis depende de políticas públicas integradas, infraestrutura inclusiva e uma mudança cultural em direção a modos de transporte menos poluentes e mais humanos.Item Consumo consciente e sustentabilidade no comportamento do consumidor(2024) Lima, Laura Amorim; Oliveira, IgorItem Urbanização sustentável: desafios e oportunidades nas periferias brasileiras(2024) Almeida, Marine Christine Gonçalves deO avanço do aquecimento global e o aumento das catástrofes climáticas intensificam os desafios ambientais enfrentados pelas periferias urbanas brasileiras. Essas comunidades, historicamente marcadas pela segregação socioespacial e pela falta de infraestrutura, enfrentam dilemas complexos que envolvem questões sociais, econômicas e ambientais. Este artigo discute as dificuldades e as oportunidades de promover uma urbanização sustentável nas periferias, enfatizando o papel das políticas públicas, da arquitetura sustentável e da ecologia urbana. A partir de uma abordagem interdisciplinar, argumenta-se que a inclusão de infraestrutura verde e o fortalecimento da conscientização ambiental são caminhos essenciais para reduzir desigualdades e promover o bem-estar social.Item Agroecologia e produção de alimentos saudáveis: os desafios do MST e dos territórios de Reforma Agrária(2024) Matheus, Andreia Cristina; Livi, Andréia; Borges, Bárbara LoureiroO modelo de desenvolvimento agrícola brasileiro, baseado no agronegócio, tem acentuado a concentração fundiária, a insegurança alimentar e a degradação ambiental, ao priorizar a produção de commodities para exportação em detrimento da produção de alimentos. Em contraposição, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) propõe uma Reforma Agrária Popular orientada pela soberania alimentar e pela agroecologia. Este artigo analisa as estratégias adotadas pelo MST para promover a produção de alimentos saudáveis e massificar a agroecologia em seus territórios. A pesquisa, de natureza qualitativa, combinou revisão teórica com trabalho de campo baseado em observação participante e vivências. Os resultados indicam que a promoção da agroecologia nos territórios do MST está associada à cooperação, à defesa ambiental e ao acesso a tecnologias apropriadas, favorecendo a diversificação produtiva e a autonomia camponesa.Item Raça, classe e território: racismo ambiental e gentrificação verde no plano diretor da cidade de São Paulo(2024) Brasílio, José Henrique LopesO presente artigo analisa a intersecção entre classe social e raça nas disputas por terra e áreas verdes na cidade de São Paulo, abordando o impacto do racismo ambiental e da gentrificação verde sobre o Plano Diretor Municipal. A investigação se concentra em como esses processos impulsionam a realocação de comunidades e modificam o uso do território. Focaliza-se o alcance do Projeto de Intervenção Urbana (PIU-VL) proposto pela empresa Votorantim S/A, que visa requalificar uma área nobre da cidade, onde coexistem ocupações urbanas, como as Favelas da Linha e do Nove, na zona oeste da cidade. Esse território emerge como símbolo de resistência, de espaço banal e expressão de novas gramáticas discursivas. Nele, observam-se as influências do neoliberalismo e da financeirização da vida, que impactam diretamente a configuração urbana, ambiental e social da maior cidade da América Latina.Item Interação e cidadania: o impacto das redes sociais no mandato de Andréa Werner e a promoção da inclusão(2024) Ganzarolli, Amanda; Damasceno, Marcelo SimõesEste estudo investiga como a deputada estadual Andréa Werner (PSB) utiliza seu perfil no Instagram para discutir políticas públicas voltadas aos direitos das pessoas com deficiência. A metodologia aplicada é a análise quanti-qualitativa e categorial dos vídeos publicados no formato Reels. O referencial teórico inclui autores como Walter Lippmann (1922), Clay Shirky (2011), Pollyana Ferrari (2015), Raquel Recuero (2014) e Antonio Almerico Biondi Lima (2017), entre outros, com o objetivo de identificar a participação e inclusão geradas pela ação no mandato da parlamentar. Os resultados apontam que a ação tem o potencial de aumentar a participação cidadã nas decisões em São Paulo, permitindo que opiniões não especializadas influenciem rapidamente o debate digital sobre temas de grupos minorizados.Item Índice de arborização viária e largura do passeio público: um olhar sobre o planejamento (e o não planejamento) da cidade de São Paulo(2024) Starobinas , DasA cidade de São Paulo é marcada por desigualdades sociais históricas que se reproduzem em seu espaço físico. Esse trabalho consiste em uma análise sobre a largura média do passeio público e dos índices de arborização viária de diferentes partes do município, de forma a entender de que maneira as diferenças dentro do território foram consolidadas entre o centro e as periferias sociológicas ao longo do tempo, pelo planejamento e não planejamento da cidade, com as periferias possuindo menores calçadas e menores densidades de árvores nas vias. Em seguida, o problema da manutenção da arborização é traçado ao estabelecer a impossibilidade de arborização em passeios estreitos, impossibilitando a reparação histórica por políticas puramente reformistas. Ainda, as dificuldades na coleta de dados que de fato representam a situação atual da arborização viária, apontam para uma falsa imagem quanto certas regiões da cidade, o que limita o reconhecimento de necessidade de ação. Por fim, são indicadas algumas das questões encontradas na análise do problema e na alteração do espaço em uma urbanidade já avançada e os danos possíveis pela falta de manutenção, como forma de demonstrar que os efeitos da desigualdade territorial não estão no passado e muito facilmente podem recair em outros artifícios de opressão, quanto à (má) qualidade de habitaçãoItem A visibilidade da obra musicográfica de Lina Pires de Campos em catálogos bibliográficos(2024) Augusto, Márcia Silva; Silva, José Fernando Modesto daIdentifica e organiza a obra musicográfica de Lina Pires de Campos, sob o viés bibliográfico com o objetivo de conferir visibilidade e o acesso as suas composições. Investiga o volume de sua produção e analisa a dimensão de sua obra em catálogos bibliográficos de acervos musicais. É caracterizado por uma pesquisa bibliográfica, exploratória, documental e descritiva. Como método, constrói-se uma biografia e um catálogo de obras da compositora. Como resultado, constata-se a relevância da artista na cultura e no ensino do piano. Destaca o tratamento bibliográfico de partituras realizado pelas instituições que garantem a sobrevivência do patrimônio cultural brasileiro.Item Fenômeno Red Pill: uma interpretação masculinista da realidade(2024) Sá, Isabelle Corrêa deEste artigo é o desdobramento dos resultados de uma pesquisa de iniciação científica1 e interpreta como certas categorias são mobilizadas nos discursos e conteúdos produzidos por influenciadores digitais masculinistas adeptos ao ethos Red Pill, enfatizando seu caráter segregador e intimidador, especialmente contra mulheres. Durante o desenvolvimento foram selecionados perfis do Instagram que não só promovem um comportamento e uma identidade masculinista, quer dizer, uma produção Red Pill de ser e agir no mundo “como homem” totalmente excludente e conservadora, como também encorajam uma desmoralização das mulheres motivada pela crença em um suposto “comportamento feminino contemporâneo” em declínio moral e prejudicial aos homens. O vasto conteúdo destes perfis permitiu analisar as representações masculinistas sobre as relações heterossexuais e investigar os possíveis sentidos de suas classificações, o que se demonstra relevante em especial se considerarmos o crescimento da popularidade do fenômeno Red Pill em redes sociais comuns, como o Instagram e YouTube.Item Mulheres negras no ensino superior: ações afirmativas e disputas por reconhecimento(2025) Alves, Pâmella SilvaEste artigo discute, em perspectiva teórica, as políticas de ações afirmativas no ensino superior público e os efeitos que produzem nas trajetórias de mulheres negras universitárias, com ênfase na lei que instituiu o sistema de reserva de vagas nas instituições federais. Trata-se de um ensaio teórico ancorado em análise documental de marcos legais e em diálogo com literatura sobre movimento negro, ações afirmativas e feminismo negro; argumenta-se que a combinação entre recortes social e racial constitui condição fundamental para que essas políticas alcancem de forma efetiva a população negra. Ao tomar a categoria mulheres negras, especialmente aquelas de camadas populares e egressas da escola pública, como eixo analítico, o texto explicita como raça, gênero e condição social se entrecruzam na produção de barreiras de acesso, permanência e pertencimento no ensino superior. Discute-se, ainda, de modo mais geral, como o debate em torno da política de cotas tensiona instituições dotadas de autonomia, como é o caso de universidades estaduais, evidenciando ritmos e desenhos distintos de implementação das ações afirmativas. Conclui-se que tais políticas têm contribuído para redefinir relações de poder no campo educacional e para a emergência de novas epistemologias, mas permanecem insuficientes para enfrentar, sem uma perspectiva interseccional, as desigualdades específicas que atravessam as trajetórias de mulheres negras. Defende-se, por fim, a necessidade de aperfeiçoar as ações afirmativas articulando acesso, permanência e bem-estar, de modo a consolidar a universidade pública como espaço plural e comprometido com a justiça racial e de gêneroItem Capitalismo em pauta: a influência do sistema na cobertura jornalística atual(2025) Veras, Letícia GouveiaO artigo analisa de que forma o sistema capitalista influencia a estrutura, as práticas e a pauta do jornalismo contemporâneo no Brasil. A partir do referencial teórico de autores como Nancy Fraser e Fabiana Moraes, discute-se como a concentração da propriedade midiática, a precarização do trabalho jornalístico e a lógica do mercado comprometem a função pública da imprensa e contribuem para a reprodução de desigualdades sociais, raciais e de gênero. Nesse contexto, o jornalismo independente é apresentado como uma alternativa crítica à mídia hegemônica, ao buscar ampliar a diversidade de vozes e tensionar narrativas dominantes. Contudo, enfrenta desafios estruturais, especialmente relacionados à sustentabilidade financeira e às limitações de alcance de públicoItem Agroecologia, substantitvo feminino: o espaço das mulheres nas hortas urbanas em terrenos ocupados nas periferias de São Paulo(2025) Borba, Mariana Lustoza da SilvaExiste uma lacuna de dados nas investigações focadas no espaço urbano da cidade de São Paulo quando pensamos a catalogação, mapeamento temático e registros sistematizados a respeito da territorialidade das hortas urbanas periféricas na cidade de São Paulo. Ao pensar nos terrenos devolutos ocupados com objetivo de ali estabelecer produções agroecológicas, é notória a primazia do trabalho das mulheres, quando inseridas em movimentos sociais, no trabalho junto à terra. Ao entender estes estabelecimentos produtores de alimentos como expressão de um pensamento social amplo que busca, entre outras motivações, o direito ao bem-viver, à soberania alimentar, à autonomia territorial e o direito à cidade, interpretaremos os fenômenos e processos à luz dos conceitos de espaço relacional, espaço generificado e sumak kawsay para catalogar e mapear as hortas urbanas populares e comunitárias a fim de compreender as territorialidades de cada horta comunitária, o reconhecimento como espaço produtivo de alimentos, os potenciais pedagógicos e andragógicos mediados pelo pensamento educativo presente nos processos de existência das hortas, bem como as práticas de gestão ambiental, autogestão e economia popular praticadas e lideradas pelas mulheres nestes locais férteis em ações, que funcionam no sentido contrário de um espaço urbano cada vez mais impermeabilizado, excludente e vertical.Item Narrativas da extrema-direita sobre as enchentes no Rio Grande do Sul (2024): uma etnografia digital do grupo Direita Brasil no Telegram(2025) Brasílio, José Henrique LopesEste artigo apresenta uma análise netnográfica do grupo de extrema-direita "Direita Brasil" no Telegram, investigando a disputa de narrativas durante as enchentes no Rio Grande do Sul. Fundamentada nos conceitos de pós-verdade e na "fabricação de mundos" digitais (Bruno), a pesquisa combinou imersão ativa e análise de discurso para mapear como a tragédia climática foi politicamente ressignificada. Os resultados revelam a coexistência de dois arquétipos de negacionismo: o pseudocientífico/autoritário, que instrumentaliza credenciais acadêmicas para validar teorias conspiratórias globais (como a "nazi-ecologia"); e o moral/afetivo, que interpreta o desastre através de pânico moral e vieses de confirmação, transformando a crise ambiental em perseguição política ao agronegócio. A análise quantitativa de engajamento demonstrou que a economia da atenção no grupo privilegia afetos extremos — indignação, medo e escárnio —, consolidando "bolhas algorítmicas" (Parra) refratárias ao contraditório. Conclui-se que as interações no grupo mimetizam traços do "Fascismo Eterno" (Eco), onde a desinformação atua não apenas como distorção factual, mas como ferramenta de coesão identitária e radicalização, tornando o ecossistema impermeável a dados oficiais como os da crise climática.
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