Mulheres negras no ensino superior: ações afirmativas e disputas por reconhecimento
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Resumo
Este artigo discute, em perspectiva teórica, as políticas de ações afirmativas no ensino superior público e os efeitos que produzem nas trajetórias de mulheres negras universitárias, com ênfase na lei que instituiu o sistema de reserva de vagas nas instituições federais. Trata-se de um ensaio teórico ancorado em análise documental de marcos legais e em diálogo com literatura sobre movimento negro, ações afirmativas e feminismo negro; argumenta-se que a combinação entre recortes social e racial constitui condição fundamental para que essas políticas alcancem de forma efetiva a população negra. Ao tomar a categoria mulheres negras, especialmente aquelas de camadas populares e egressas da escola pública, como eixo analítico, o texto explicita como raça, gênero e condição social se entrecruzam na produção de barreiras de acesso, permanência e pertencimento no ensino superior. Discute-se, ainda, de modo mais geral, como o debate em torno da política de cotas tensiona instituições dotadas de autonomia, como é o caso de universidades estaduais, evidenciando ritmos e desenhos distintos de implementação das ações afirmativas. Conclui-se que tais políticas têm contribuído para redefinir relações de poder no campo educacional e para a emergência de novas epistemologias, mas permanecem insuficientes para enfrentar, sem uma perspectiva interseccional, as desigualdades específicas que atravessam as trajetórias de mulheres negras. Defende-se, por fim, a necessidade de aperfeiçoar as ações afirmativas articulando acesso, permanência e bem-estar, de modo a consolidar a universidade pública como espaço plural e comprometido com a justiça racial e de gênero