Da escravidão à sala de parto: saúde reprodutiva de mulheres negras no Brasil e racismo obstétrico no caso Alyne Pimentel

dc.contributor.authorOliveira, Thaisa Juliana Cipriano de
dc.date.accessioned2026-01-08T12:28:42Z
dc.date.available2026-01-08T12:28:42Z
dc.date.issued2025
dc.description.abstractEste estudo analisa a complexidade inerente à apreensão das experiências de gênero, corporalidade, sexualidade, parto e maternidade de mulheres negras, à luz da persistência de estruturas sociopolíticas originadas no regime escravagista patriarcal. A organização de gênero no período colonial, particularmente entre os séculos XIX e XX, consolidou práticas sistemáticas de violência sexual contra mulheres negras africanas, nas quais o estupro funcionava como mecanismo de coerção, controle e sustentação econômica do sistema escravista. Com o declínio do Tráfico Transatlântico, esses corpos passaram a ser instrumentalizados em função de seu potencial reprodutivo, concebido como estratégia para a expansão da população escravizada e, consequente, manutenção da força de trabalho. Dispositivos legais emancipatórios, como a Lei do Ventre Livre (1871), reforçaram a apropriação estatal do corpo e da capacidade reprodutiva da mulher negra, produzindo efeitos duradouros sobre a construção social do feminino negro, sobre o exercício da maternidade e sobre a formulação de direitos reprodutivos. Concomitantemente, o campo médico legitimou e operacionalizou o racismo científico por meio de manuais, teses, protocolos e discursos institucionais, consolidando um paradigma que converteu corpos negros em objetos de experimentação, intervenção e controle. Evidências historiográficas demonstram que parcela significativa dos avanços da obstetrícia brasileira a partir do século XIX foram construídas sobre tais práticas de violência estrutural. Esses elementos estruturam as iniquidades contemporâneas em saúde e contribuem para o fenômeno do Racismo Obstétrico. Nesse contexto, destaca-se o caso de Alyne Pimentel, mulher negra vitimada pelo racismo obstétrico em 2002. Assim, o estudo articula passado e presente para evidenciar como o legado escravocrata continua a moldar a saúde reprodutiva de mulheres negras no país.
dc.identifier.urihttps://repositorio.fespsp.org.br/handle/123456789/578
dc.subjectracismo obstétrico
dc.subjectsaúde reprodutiva
dc.subjectAlyne Pimentel
dc.titleDa escravidão à sala de parto: saúde reprodutiva de mulheres negras no Brasil e racismo obstétrico no caso Alyne Pimentel
dc.typeArtigo

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