Reconfigurando o caminho: entre metas, mídias e o cotidiano das pessoas vivendo com HIV/AIDS
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Resumo
Os primeiros registros de casos de HIV/AIDS no Brasil datam de mais de 40 anos. No início da epidemia, casos e óbitos foram amplamente expostos pela mídia, refletindo uma sociedade do espetáculo. A busca por um “paciente zero” estimulou o sensacionalismo e reforçou estigmas. A mídia e a ciência atribuíram esse título ao comissário canadense G.D., posteriormente retirado, revelando o caráter transnacional dos “corpos soropositivos”. A UNAIDS propõe metas e investimentos para conter a epidemia, mas, ainda que todas fossem atingidas, mais de oitocentas mil Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (PVHA) continuaríamos dependentes da terapia antirretroviral no Brasil. Além do acesso à testagem, assistência e medicamentos, é essencial uma atenção integral à saúde e à vida, especialmente para grupos em vulnerabilizações socioambientais. Notícias sobre uma possível “cura” do HIV/AIDS, geralmente ligadas a novas tecnologias como transplantes de medula óssea, são frequentemente midiatizadas de forma sensacionalista, criando expectativas controversas e, por vezes, cruéis. Diante de disputas, metas e números, é necessário repensar os paradigmas que orientam o enfrentamento da epidemia e buscar caminhos que reduzam o sofrimento envolvido. Proponho discutir essas questões também por meio de mídias alternativas — colagens, quadrinhos e zines — que retratam o cotidiano das PVHA: a relação constante com comprimidos, exames, receitas, filas e consultas. Esses elementos compõem a complexa “caixa-preta de pandora” do HIV/AIDS e da ciência-tecnologia.